Álvaro Dias voltou a contestar números divulgados após a transição da Prefeitura de Natal | Foto: Reprodução
Ex-prefeito afirma que deixou mais recursos em caixa do que obrigações pendentes, enquanto relatório encaminhado ao TCE registrou R$ 862,9 milhões em restos a pagar e 46 obras paralisadas ou inacabadas
Publicado 10 de junho de 2026 às 15:30
O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL), voltou a contestar a avaliação da atual gestão sobre a situação financeira deixada ao fim de seu mandato. Em entrevista à 96 FM, ele afirmou que a Prefeitura não foi entregue em desequilíbrio financeiro e que os recursos disponíveis eram superiores às obrigações pendentes.
A declaração contrasta com informações registradas no Relatório Técnico Conclusivo da Comissão de Transição, documento encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) e assinado pela atual vice-prefeita, Joanna Guerra (PL). O relatório apontou R$ 862,9 milhões em restos a pagar e 46 obras paralisadas ou inacabadas.
Questionado sobre a informação de que a nova administração teria herdado um elevado volume de obrigações financeiras, Álvaro negou que o cenário fosse o descrito pelos números divulgados durante a transição.
“Não havia esse passivo não”, afirmou o ex-prefeito. Segundo ele, um levantamento realizado pela equipe econômica da gestão apontava que o dinheiro disponível em caixa era superior ao passivo existente.
Álvaro reconheceu que havia compromissos pendentes, mas sustentou que a situação financeira do Município era administrável. “Nós deixamos dinheiro em caixa e deixamos também um passivo que existiu realmente, mas o dinheiro em caixa que a gente deixou era maior do que esse passivo”, declarou.
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O ex-prefeito também citou Joanna Guerra como participante das discussões realizadas antes do encerramento do mandato. “Está aí Joanna Guerra, que pode comprovar”, disse.
O relatório da transição, entretanto, registrou R$ 349,8 milhões em despesas processadas e não pagas e outros R$ 513,1 milhões em despesas não processadas, totalizando R$ 862,9 milhões em restos a pagar. O documento também apontou dezenas de obras paralisadas ou inacabadas em diferentes áreas da administração municipal.
Após assumir a Prefeitura em janeiro de 2025, o prefeito Paulinho Freire (União Brasil) anunciou medidas de contenção de despesas, incluindo redução de gratificações, diárias e outras despesas administrativas. Na época, a gestão informou que as medidas buscavam ampliar a capacidade de investimento do Município.
Dados fiscais posteriores mostraram redução significativa do estoque de restos a pagar ao longo de 2025. Ainda assim, a divergência sobre o cenário encontrado na transição permanece como um dos principais pontos de debate entre integrantes do mesmo grupo político.
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