No ano passado, ainda sob a gestão do prefeito Allyson Bezerra (União), que hoje é pré-candidato ao governo do Estado, a duração do festival foi ampliada de dois para cinco dias
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou, nesta quarta-feira (10), um inquérito civil para apurar supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos no evento “Mossoró Sal e Luz”, em Mossoró, na região Oeste potiguar. Em 2025, a prefeitura mossoroense utilizou mais de R$ 2,7 milhões com o pagamento de cachês para artistas religiosos.
No ano passado, ainda sob a gestão do prefeito Allyson Bezerra (União), que hoje é pré-candidato ao governo do Estado, a duração do festival foi ampliada de dois para cinco dias — 17, 18, 23, 24 e 25 de julho. Utilizando o mecanismo da inexigibilidade de licitação, a prefeitura pagou valores acima de R$ 200 mil para alguns dos artistas participantes.
A investigação do Ministério Público foca justamente no volume de investimentos públicos utilizados no evento. Segundo a portaria assinada pelo promotor de justiça em substituição Fábio de Weimar Thé, o inquérito dá sequência ao procedimento preparatório 03.23.2039.0000165/2025-59, instaurado em 18 de dezembro de 2025, já com o intuito de averiguar a aplicação de recursos municipais no festival religioso.
A conversão de um procedimento administrativo em inquérito civil acontece após a coleta de indícios preliminares suficientes de irregularidades que exigem investigação mais aprofundada. Segundo a portaria, os autos agora retornam ao gabinete para análise da documentação mais recente enviada pela prefeitura de Mossoró.
A edição de 2025 do “Mossoró Sal e Luz” reuniu diversos nomes da música gospel locais, regionais e nacionais. As apresentações aconteceram na Estação das Artes, na região central de Mossoró. “Maior evento gospel do Nordeste Brasileiro”, declarou à epoca o então prefeito Allyson Bezerra.
Somente com o pagamento de cachês, a Prefeitura de Mossoró gastou R$ 2,7 milhões, segundo levantamento feito pelo NOVO a partir de informações obtidas no portal da transparência do município. O maior contrato foi para a cantora gospel Maria Marçal, de apenas 16 anos, que recebeu R$ 230 mil pela apresentação.

Além de Maria Marçal, os maiores cachês foram de Bruna Karla (R$ 220 mil), Isadora Pompeo (R$ 220 mil), Cassiane (R$ 210 mil), Thalles Roberto (R$ 200 mil) e a banda Som & Louvor (R$ 180 mil).
Segundo dados do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte, Mossoró gastou R$ 25,7 com festejos durante o exercício financeiro de 2025. As informações foram consolidadas e disponibilizadas pelo portal de transparência “Painel Festejos”, que monitora a aplicação de recursos em eventos públicos estaduais e municipais. Ao todo, a administração municipal firmou 102 contratos para a realização de festividades ao longo do ano.
Mais de R$ 1,5 milhão em cachês para 2026
Para 2026, a Secretaria Municipal de Cultura de Mossoró já oficializou a contratação de artistas nacionais para a programação do Mossoró Sal & Luz. De acordo com os extratos de contratos publicados entre os dias 28 de maio e 9 de junho, o montante destinado ao pagamento de cachês já ultrapassa R$ 1,5 milhão.
As contratações foram realizadas por meio de inexigibilidade de licitação. Aline Barros e a Banda Morada detêm os maiores cachês individuais anunciados até o momento, com o valor de R$ 280 mil cada. Na sequência, figuram Thalles Roberto e Julliany Souza, com contratos de R$ 250 mil para cada apresentação artística.
A lista de atrações nacionais confirmadas inclui ainda a Banda Som & Louvor, contratada por R$ 220 mil, e o grupo Crianças Diante do Trono, com cachê fixado em R$ 150 mil. O extrato mais recente, publicado nesta terça-feira (9), oficializou a contratação do cantor Cícero Oliveira pelo valor de R$ 80 mil.
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