Resultados mostram que mães adolescentes de famílias beneficiárias do Bolsa Família apresentaram menor incidência de defasagem escolar. Foto: Anastácia Vaz
A pesquisa analisou dados de 100 Milhões de Brasileiros e identificou que a transferência de renda condicionada contribui para a permanência dessas jovens na escola, especialmente no Semiárido Setentrional
Publicado 2 de junho de 2026 às 17:00
Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) revelou que o Programa Bolsa Família (PBF) desempenha um papel importante na redução da defasagem escolar entre mães adolescentes em situação de vulnerabilidade social. A pesquisa analisou dados da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros e identificou que a transferência de renda condicionada contribui para a permanência dessas jovens na escola, especialmente no Semiárido Setentrional.
O trabalho foi desenvolvido por Herick Cidarta Gomes de Oliveira (PPGDem/UFRN), em coautoria com Luana Junqueira Dias Myrrha (PPGDem/UFRN) e Dandara de Oliveira Ramos da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A análise utilizou dados longitudinais referentes ao período de 2004 a 2015, permitindo acompanhar as trajetórias educacionais das participantes ao longo do tempo. A pesquisa integra um convênio entre o PPGDem e o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia).
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Os resultados mostram que mães adolescentes de famílias beneficiárias do Bolsa Família apresentaram menor incidência de defasagem escolar em comparação com jovens de perfil socioeconômico semelhante que não recebiam o benefício. No Semiárido Setentrional, pertencer a uma família contemplada pelo programa reduziu em mais de 12 pontos percentuais a probabilidade de atraso escolar no momento da primeira maternidade.
Segundo Herick Oliveira, primeiro autor do estudo, os resultados demonstram que o programa contribui para a permanência dessas jovens na escola. O efeito positivo também se mostrou mais intenso entre aquelas que tiveram maior tempo de exposição ao Bolsa Família.
Embora os dados reforcem a eficácia das políticas de transferência de renda, os pesquisadores destacam a importância de medidas complementares, como a ampliação da oferta de creches em tempo integral e de espaços de acolhimento infantil, para garantir melhores condições de continuidade dos estudos.
Os resultados da pesquisa foram publicados no artigo Efeitos do Bolsa Família sobre a defasagem escolar de mães adolescentes: evidências regionais com dados longitudinais da Coorte de 100 milhões de brasileiros, na revista Estudos Econômicos. O estudo é fruto da tese de doutorado de Herick Oliveira, disponível no Repositório Institucional da UFRN.
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