Moisés de Lima construiu ao longo dos anos um trabalho singular dentro da música produzida no RN. | Foto: Simone Sodré/Divulgação
A força ancestral do blues, os ecos da diáspora africana e a expressividade visceral da gaita diatônica conduzem o novo espetáculo do músico potiguar Moisés de Lima, que sobe ao palco do Mestiços Bar e Espaço Cultural, em Ponta Negra, no próximo dia 6 de junho, às 20h, para apresentar o show “Black In”.
A apresentação propõe uma travessia musical construída entre memória, resistência, identidade negra e experiências acumuladas ao longo de décadas na cena alternativa do rock e do blues do Rio Grande do Norte.
Mais do que um show convencional, “Black In” nasce como uma experiência de escuta marcada pelo encontro entre sonoridades afro-diaspóricas, blues rock, baladas instrumentais e elementos da música popular brasileira.
O espetáculo reúne composições autorais, releituras instrumentais e canções que refletem a trajetória artística de Moisés de Lima, músico que consolidou uma linguagem própria ao inserir a gaita diatônica em narrativas sonoras conectadas à ancestralidade africana e ao cotidiano urbano.
O repertório traz músicas do single “Afrika” e do EP “Black In”, trabalhos lançados pelo selo Mudernage e contemplados pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) nos anos de 2024 e 2025. As obras representam uma fase de maturidade criativa do artista, marcada pela valorização da cultura afro-brasileira e pela pesquisa de sonoridades ligadas ao afro blues.
A faixa-título “Black In” presta homenagem ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, figura emblemática da contracultura potiguar falecida em 1999.
O reconhecimento ao trabalho veio em abril deste ano com a conquista do prêmio de Melhor Compositor do Ano no Hangar 2026. O EP “Black In” também recebeu indicações nas categorias Melhor Canção e Melhor EP, consolidando o artista entre os nomes de destaque da produção independente potiguar contemporânea.
No palco, Moisés de Lima será acompanhado pelos músicos Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes (baixo) e Luiz Machado (percussão), formando uma base instrumental que transita entre o blues elétrico, ritmos afro-brasileiros, grooves percussivos e atmosferas experimentais.
A proposta sonora do espetáculo aposta na improvisação, na força rítmica e na criação de ambiências que dialogam diretamente com as raízes negras do blues.
Tendo a gaita diatônica como elemento central de sua identidade artística, Moisés de Lima construiu ao longo dos anos um trabalho singular dentro da música produzida no RN.
Em um cenário onde o instrumento aparece de forma rara, o músico desenvolveu uma linguagem própria que mistura afro blues, country, rock clássico e baladas instrumentais, transformando a gaita em voz narrativa de suas composições.

As canções apresentadas no espetáculo abordam temas ligados à ancestralidade africana, personagens populares, espiritualidade, experiências periféricas e memórias urbanas. Em muitas delas, a música funciona como ferramenta de reconstrução simbólica da identidade negra, articulando poesia, ritmo e improvisação em composições marcadas pela intensidade emocional.
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A trajetória musical de Moisés de Lima começou ainda no final dos anos 1980, período em que participou de bandas de garagem voltadas ao blues rock e integrou festivais estudantis, eventos comunitários e apresentações da cena alternativa natalense. Autodidata, aprendeu a tocar violão, guitarra, contrabaixo e gaita, desenvolvendo uma formação construída na prática coletiva, na escuta e na experimentação musical.
Ao longo da carreira, integrou grupos importantes da cena rock e blues do estado, como Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs, experiências que ajudaram a consolidar sua pesquisa sonora voltada ao blues e à música negra.
Como compositor, participou da criação de músicas presentes no disco “Mãe Luiza in Blues” e ganhou projeção no Festival MPBeco de 2008 com a canção “Natal Canibal”, trabalho que já evidenciava sua preocupação em retratar conflitos urbanos, desigualdades sociais e identidades culturais através da música.
Atualmente, além da carreira solo, o músico integra as bandas Revolution 5 e The Anthologics, mantendo atuação na cena independente potiguar.
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