Ex-governador do RJ, Cláudio Castro é alvo de operação da Polícia Federal por fraudes bilionárias. | Foto: Philippe Lima

Política

Caso Master Esquema de R$ 3,6 bilhões: PF acusa Cláudio Castro de trocar cúpula para desviar dinheiro do SUS e Previdência

8ª fase da Operação Compliance Zero cumpre mandados autorizados pelo STF; investigações apontam que rombo afeta fundo de 235 mil pensionistas

por: NOVO Notícias

Publicado 26 de maio de 2026 às 14:02

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (26), a 8ª fase da Operação Compliance Zero e cumpriu 10 mandados de busca e apreensão contra suposto esquema bilionário de desvio de verbas. O principal alvo é o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), acusado de fazer uma “alteração estratégica” em cargos-chave da cúpula do Rioprevidência — fundo responsável pelo pagamento de 235 mil aposentados e pensionistas — para facilitar o desvio de cerca de R$ 3,6 bilhões em recursos públicos, que também envolvem verbas do SUS.

Segundo o relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e autorizado pelo ministro André Mendonça, as mudanças nos cargos estratégicos ocorreram imediatamente antes de aportes bilionários serem direcionados para produtos financeiros ligados ao Banco Master, comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Os investigadores apontam que as nomeações políticas serviram para agilizar o credenciamento do banco e liberar as aplicações sem qualquer análise técnica estruturada, descumprindo regras básicas de fiscalização.

A investigação aponta que, entre outubro de 2023 e outubro de 2025, os novos gestores indicados agiram em total desconformidade com a legislação para favorecer o grupo econômico.

A Polícia Federal identificou mensagens no celular do banqueiro e um “sincronismo” com encontros pessoais, reuniões privadas e até viagens ao exterior custeadas por Vorcaro para o governador, indicando que os investimentos bilionários dependiam diretamente de “alinhamento político”.

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Ainda de acordo com a decisão do STF, os repasses de dinheiro público continuaram sendo executados mesmo após alertas formais do Tribunal de Contas e pareceres técnicos desfavoráveis de auditores.

Para o ministro André Mendonça, há um “robusto conjunto de elementos indiciários” de que as decisões financeiras não tinham critérios técnicos regulares, mas sim uma relação pessoal e indevida entre o controlador do banco e as autoridades com poder de mando no Estado.

Defesa questiona operação

Em nota, a defesa do governador Cláudio Castro informou que ele acompanhou as buscas da Polícia Federal em suas residências “com serenidade”.

O advogado Carlo Luchione questionou o momento da operação e afirmou ver uma possível motivação política nas buscas, associando o caso ao atual período eleitoral, embora tenha ponderado que essa se trata de uma opinião preliminar da defesa.

Gestores citados pela PF em cargos-chave:

  • Deivis Marcon Antunes: Diretor-presidente do fundo;
  • Eucherio Lerner Rodrigues: Diretor de Investimentos;
  • Pedro Pinheiro Guerra Leal: Gerente de Investimentos e Operações;
  • Fernanda Pereira da Silva Machado: Responsável pelo Controle Interno e Auditoria.
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