Daniela Freire, jornalista
O inconformismo diante do exposto pelo ministro teve uma reação: a disseminação de cortes da entrevista com imagens de manchetes de jornais que, em tese, estariam desmentindo Boulos, mas estão apenas dando continuidade à desinformação
Publicado 16 de março de 2026 às 16:15
Repercussão
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o deputado federal pelo PSOL licenciado Guilherme Boulos esteve em Natal na última sexta-feira (13) para cumprir agenda institucional e partidária ao lado da governadora Fátima Bezerra e de políticos do PT. Em meio aos compromissos, ele participou de uma entrevista na 98 FM. Nela, Boulos colocou a desinformação fantasiada de questionamento no seu devido lugar. O inconformismo diante do exposto pelo ministro teve uma reação: a disseminação de cortes da entrevista com imagens de manchetes de jornais que, em tese, estariam desmentindo Boulos, mas estão apenas dando continuidade à desinformação.
Desinformação dupla
Pronto, era o que faltava para a extrema-direita local e nacional, que adora mentir, passar a compartilhar ainda mais as fake news. Sim, porque o ministro, ao contrário do que insinuam os cortes para as redes, não mentiu. Falou a verdade ao afirmar de forma enfática que o senador petista Jaques Wagner, líder do governo no Senado, não é investigado no processo do Banco Master.
Fato 1
Eis os fatos: Jaques Wagner não é formalmente investigado pela Polícia Federal no inquérito principal que apura as fraudes do Banco Master. Até o momento, a situação é a seguinte: citação em CPMI. O nome dele é citado frequentemente na CPMI do INSS/Master no Congresso. Parlamentares da oposição tentam vinculá-lo ao caso devido à sua amizade com ex-sócios do banco e por ele ter admitido que “mencionou” a disponibilidade de nomes como Guido Mantega para consultorias na instituição.
Fato 2
Ele também não mentiu ao insistir que Bolsonaro não foi absolvido no caso das joias sauditas e ao rebater a desinformação de que o processo tinha sido arquivado. Embora a Procuradoria-Geral da República tenha opinado pelo arquivamento — de apenas uma parte do processo —, a ação continua aguardando decisão do STF. O mais importante: esse pedido de arquivamento pela PGR (que não arquivou o processo) é referente apenas à parte criminal. No âmbito cível, sobre o caso das joias, a ação segue normalmente e pode condenar Bolsonaro por improbidade.
Mentira é mentira
Ou seja, Boulos chamou de mentira o que era mentira. A emissora não gostou, pois o desmentido veio de político da esquerda. E por isso houve uma espécie de revolta junto ao bolsonarismo natalense, contando com apoio da base paulinista feminina, que passou a operar outra desinformação: a de que Boulos foi machista e grosseiro com as mulheres que participavam da entrevista. O ministro tratou os homens exatamente da mesma maneira: de forma assertiva e contundente diante de desinformação.
O que é agressão a jornalista
É interessante ver as pessoas que idolatram Bolsonaro e seu séquito reclamarem da contundência de Boulos. Ora, ora, se foi Bolsonaro o presidente que agredia repetidamente mulheres jornalistas?! Quando Nina Souza, primeira-dama de Natal, e a deputada federal Carla Dickson, aliada de primeira hora do bolsonarismo, correram para questionar Boulos, foram às redes reagir aos crimes cometidos pelo líder delas? Bolsonaro mandava jornalista calar a boca, dizia que jornalista queria “dar o furo” nele, xingava de todas as formas, todas mulheres. Quem não se lembra do ataque de Bolsonaro à jornalista Vera Magalhães durante debate em 2022? “Você é uma vergonha para o jornalismo”, disse o então candidato à reeleição. Há dezenas de outros casos de agressão do ex-presidente contra mulheres. E o silêncio das que hoje criticam Boulos por combater as mentiras está colocado na história.
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