Fotos feitas por voluntários ajudam pesquisadores a acompanhar mudanças nas praias do RN e de todo o Brasil. | Foto: CoastSnap Brasil
O litoral do RN passa a integrar uma rede nacional que monitora mudanças nas praias por meio de fotos feitas por moradores e turistas. A iniciativa, articulada pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) dentro do Projeto CoastSnap Brasil, inclui o RN em um sistema colaborativo de acompanhamento da linha de costa, com impacto direto na gestão ambiental e nas decisões sobre obras, turismo e ocupação urbana.
A proposta é simples: instalar pontos fixos na orla para que qualquer pessoa registre imagens e compartilhe nas redes sociais. Essas fotos são analisadas por pesquisadores, que conseguem identificar processos como erosão e acúmulo de sedimentos. Para o leitor potiguar, isso significa mais informação técnica para orientar políticas públicas em áreas sensíveis do litoral, especialmente em regiões afetadas pelo avanço do mar.
O CoastSnap Brasil já conta com estações espalhadas do Rio Grande do Sul ao Amapá e reúne 13 instituições públicas de ensino e pesquisa. No RN, pesquisadores da UFRN participam da iniciativa ao lado da Funpec, ampliando a presença do estado na produção de dados científicos sobre a dinâmica costeira.
Segundo a coordenação nacional do projeto, a estratégia fortalece a chamada ciência cidadã, ao envolver a população na geração de informações ambientais. Com um volume contínuo de imagens registradas ao longo do tempo, os estudos conseguem mapear a variabilidade das praias e apoiar ações de planejamento urbano e preservação ambiental.
A adesão do RN à rede também dialoga com outra frente estratégica: o Planejamento Espacial Marinho (PEM) Nordeste, coordenado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM). A política pública, lançada oficialmente em maio de 2025, organiza o uso do oceano e das áreas costeiras de forma sustentável, conciliando setores como pesca, energia e turismo com a conservação ambiental.
Os estudos do PEM Nordeste começaram em setembro de 2024 e seguem até 2028. A iniciativa envolve uma ampla rede de universidades e instituições de pesquisa da região, incluindo a própria Funpec, e abrange todos os estados nordestinos, com exceção do Maranhão, que integra outra delimitação marítima.
Para o Rio Grande do Norte, a entrada estruturada no CoastSnap Brasil amplia a capacidade de monitoramento sistemático do litoral. Em um estado onde praias movimentam a economia e influenciam diretamente o turismo e o mercado imobiliário, dados técnicos atualizados podem fazer diferença na tomada de decisões públicas e privadas.
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