Caso Epstein volta ao centro do debate político nos Estados Unidos após novas declarações de Hillary Clinton à imprensa internacional. | Foto: Reprodução
A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, acusou o governo do presidente Donald Trump de atrasar a divulgação completa dos arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein. A declaração foi feita em entrevista à BBC, em Berlim, durante o Fórum Mundial anual, reacendendo o debate sobre transparência e responsabilização em um dos escândalos mais sensíveis da política americana recente.
Segundo Hillary, a condução da liberação dos documentos levanta dúvidas. Ela afirmou que os arquivos deveriam ser divulgados integralmente. O posicionamento ocorre semanas após o Departamento de Justiça dos EUA tornar públicos milhões de páginas relacionadas às investigações sobre Epstein, condenado por crimes sexuais e tráfico de adolescentes.
A Casa Branca reagiu às críticas e afirmou que o governo Trump tem colaborado com as investigações. Em nota, declarou que a atual administração “fez mais pelas vítimas do que os democratas jamais fizeram”, citando a liberação de milhares de documentos e o apoio a novas apurações.
O Departamento de Justiça informou que parte do material permanece sob sigilo por conter prontuários médicos, descrições sensíveis de abuso sexual e informações que poderiam comprometer investigações ainda em andamento.
Hillary Clinton também defendeu que depoimentos relacionados ao caso sejam públicos. Ela e o ex-presidente Bill Clinton aceitaram depor diante de um comitê do Congresso após pressão de parlamentares republicanos. Bill deve prestar depoimento em 27 de fevereiro, enquanto Hillary comparecerá um dia antes.
A audiência será a primeira vez, desde 1983, que um ex-presidente americano testemunha perante um comitê do Congresso. A votação que poderia abrir um processo por desacato contra o casal foi suspensa após a confirmação dos depoimentos.
A presença de nomes nos documentos não indica envolvimento em crimes. Bill Clinton confirmou que teve contato com Epstein no passado, mas afirma ter rompido relações há cerca de duas décadas. Hillary declarou que nunca teve contato direto com o financista e que conheceu Ghislaine Maxwell apenas em ocasiões pontuais.
Nenhum dos dois foi acusado formalmente por vítimas de Epstein, e ambos afirmam que desconheciam os crimes na época.
O caso também envolve o ex-príncipe britânico Andrew, citado nos arquivos e pressionado a depor nos Estados Unidos. Ele nega irregularidades e firmou, em 2022, um acordo extrajudicial sem admissão de culpa com Virginia Giuffre, que o acusou publicamente.
O presidente Donald Trump também é mencionado nos documentos, mas nega qualquer ligação criminosa com Epstein. Questionado sobre as declarações de Hillary, afirmou que foi investigado e inocentado, reiterando que não tem nada a esconder.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto em agosto de 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. A Justiça americana concluiu que ele tirou a própria vida. A divulgação dos arquivos ocorre após o Congresso aprovar uma lei que obriga a liberação de documentos ligados às investigações, embora parlamentares aleguem que o material divulgado ainda é insuficiente.
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