Após a queda do Banco Master, o Banco Central intensificou a fiscalização e determinou o encerramento de atividades de instituições por irregularidades graves. | Foto: Divulgação
Liquidações ocorreram entre novembro e fevereiro e atingem empresas ligadas direta ou indiretamente ao escândalo que revelou rombo bilionário e crise de liquidez
Publicado 18 de fevereiro de 2026 às 12:04
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial de oito instituições financeiras desde novembro, após o avanço das investigações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, caso que expôs falhas graves no sistema financeiro nacional. As medidas atingem bancos e distribuidoras de títulos com atuação em diferentes regiões do país e refletem o endurecimento da fiscalização diante de riscos à segurança de investidores e ao funcionamento do mercado.
O movimento começou depois da divulgação de informações que apontaram que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, mantinha cerca de R$ 80 bilhões em ativos, mas dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa. As apurações indicam suspeitas de irregularidades como esquema de pirâmide financeira, uso de empresas de fachada, triangulações por meio de fundos e oferta de carteiras fictícias de crédito.
Nesta quarta-feira (18), o Banco Central determinou o encerramento das atividades do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. Embora relacionadas entre si, as duas instituições não integram formalmente o conglomerado Master e são consideradas de pequeno porte. Ambas haviam sido adquiridas em meados de 2025 por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Augusto Ferreira Lima chegou a ser listado para prestar depoimento à Polícia Federal no fim de janeiro, mas a oitiva foi cancelada após a defesa informar que ele permaneceria em silêncio por não ter tido acesso aos autos do processo. Em uma das operações da PF, os agentes encontraram na residência do empresário pelo menos R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo e uma coleção de vinhos de alto valor, incluindo uma garrafa de Chateau Petrus 2006, avaliada em cerca de 4,5 mil euros.
No caso das demais instituições atingidas, o Banco Central informou que as liquidações foram motivadas por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional e pelo comprometimento da situação econômico-financeira das empresas. Entre as instituições que tiveram as atividades encerradas estão Banco Master, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank, Will Financeira S.A. Crédito, Master Corretora de Câmbio, CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e a própria Pleno DTVM.
As investigações apontam que o Banco Master cresceu de forma acelerada ao oferecer CDBs com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, a instituição teria assumido riscos elevados e realizado operações para inflar artificialmente o balanço. Entre 2023 e 2024, cerca de R$ 11,5 bilhões teriam sido desviados, segundo relatórios do Banco Central e apurações da Polícia Federal.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando uma grave crise de liquidez e repetidas infrações às regras que regem o sistema financeiro.
Com o aumento dos pedidos de resgate por parte de investidores, o Fundo Garantidor de Créditos precisou aprovar um plano emergencial para recompor seu caixa. O FGC garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, em aplicações como contas-correntes, poupança, CDBs, LCIs, LCAs, LCDs e RDBs.
Criado em 1995, o FGC é uma associação privada sem fins lucrativos que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua para proteger depositantes e evitar crises bancárias de maior proporção.
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