Pesquisa nacional aponta que viver no RN custa, em média, mais de dois salários mínimos por pessoa ao mês. | Foto: Freepik

Economia

Economia Custo de vida no RN chega a R$ 2.550 por mês e está entre os mais altos do Nordeste

Levantamento nacional mostra que despesas com supermercado, moradia e contas fixas concentram a maior parte dos gastos dos potiguares

por: NOVO Notícias

Publicado 12 de fevereiro de 2026 às 11:04

Viver no RN custa, em média, R$ 2.550 por mês para cada pessoa. O valor coloca o estado como o 5º maior custo de vida do Nordeste, considerando despesas essenciais como moradia, alimentação, contas domésticas, transporte, saúde, educação e lazer. Os dados são da pesquisa “Custo de Vida no Brasil”, realizada pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box, e ajudam a dimensionar o peso do orçamento no dia a dia dos potiguares.

O levantamento aponta que o RN fica atrás apenas da Bahia, Pernambuco, Paraíba e Piauí no ranking regional. Em nível nacional, o custo médio mensal por pessoa é de R$ 3.520, acima do registrado no estado. Ainda assim, o valor potiguar supera o salário mínimo vigente, o que reforça o impacto das despesas fixas sobre a renda das famílias.

De acordo com a pesquisa, os maiores gastos mensais no RN estão concentrados no supermercado, com média de R$ 870, seguido pela moradia, que soma cerca de R$ 790 por mês. As contas recorrentes — como água, energia elétrica, internet e serviços de streaming — representam outros R$ 370 no orçamento mensal.

Outras despesas também pesam no bolso. Gastos com saúde e atividade física chegam, em média, a R$ 420. Transporte e mobilidade custam cerca de R$ 290 por mês, mesmo valor destinado ao lazer. Compras em geral, como roupas e produtos diversos, giram em torno de R$ 240, enquanto serviços e cuidados pessoais somam R$ 120.

Impactos no consumo

Segundo o economista Thales Penha, professor da Universidade Federal do RN (UFRN), quando despesas essenciais ocupam grande parte da renda, o consumo de outros bens acaba sendo reduzido. Ele explica que esse cenário costuma levar à substituição de produtos e à busca por opções mais baratas no dia a dia.

O especialista também observa que o orçamento limitado influencia escolhas relacionadas à moradia. Aluguéis mais acessíveis levam muitas pessoas a buscar residências em áreas mais afastadas dos centros urbanos e da infraestrutura pública, como forma de equilibrar as contas mensais.

Planejamento financeiro

Para Nathália Fernandes, especialista em educação financeira da Serasa, o cenário exige atenção redobrada ao planejamento. Segundo ela, quando gastos fixos consomem grande parte da renda, há menos margem para imprevistos, o que aumenta o risco de endividamento. A orientação é acompanhar de perto todas as despesas e organizar o orçamento de forma contínua.

Diferenças entre as regiões

A pesquisa também mostra que o Nordeste, de forma geral, apresenta custos médios menores que outras regiões do país. No supermercado, por exemplo, o gasto médio mensal nacional é de R$ 930, enquanto no Nordeste fica em R$ 780. O mesmo padrão se repete em despesas com moradia, transporte, saúde e lazer, embora as diferenças variem conforme o tipo de gasto.

Mesmo com o peso do custo de vida, mudar de cidade não aparece como solução para a maioria dos brasileiros. Apenas 10% dos entrevistados afirmaram considerar a mudança de município em 2026 para reduzir despesas. O estudo aponta que o principal desafio segue sendo a reorganização do orçamento familiar diante de gastos que, em média, continuam acima do salário mínimo.

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