A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, segue cercada de dúvidas e pressiona a Polícia Civil a aprofundar a apuração do caso. | Foto: Reprodução

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Investigação Caso cão Orelha: MP cobra esclarecimentos e aponta lacunas na apuração da polícia

Ministério Público de Santa Catarina aponta lacunas na apuração da morte do animal e pede mais precisão na reconstrução dos fatos

por: NOVO Notícias

Publicado 7 de fevereiro de 2026 às 10:20

A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, vítima de maus-tratos em Florianópolis, entrou no centro de críticas após o Ministério Público de Santa Catarina cobrar novos esclarecimentos da Polícia Civil. O pedido foi feito na sexta-feira (6), diante de lacunas na apuração, mudanças de versões e dúvidas sobre a reconstrução do crime ocorrido no início de janeiro, no bairro Praia Brava.

O MP aponta a necessidade de mais precisão nos fatos que levaram à morte do animal, que sofreu uma pancada contundente na cabeça e morreu horas depois em uma clínica veterinária. A cobrança partiu tanto da Promotoria da Infância e Juventude quanto da área criminal, que analisam o inquérito envolvendo adolescentes e adultos suspeitos de participação no caso, segundo informações do Metrópoles.

Segundo a Polícia Civil, o ataque teria ocorrido por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro. No entanto, imagens divulgadas pela defesa de um dos adolescentes mostram Orelha andando pela rua às 7h05, sem ferimentos aparentes. A gravação levantou questionamentos sobre o horário e a dinâmica da agressão, já que o vídeo foi registrado cerca de uma hora e meia após o momento indicado pela polícia.

A Polícia Civil confirmou que o animal visto nas imagens é Orelha e afirmou que nunca sustentou a tese de morte imediata após o golpe. Para os investigadores, a principal evidência é outro vídeo que mostra um adolescente saindo de um condomínio às 5h25 e retornando às 5h58, período que coincide com o horário estimado do ataque. Mesmo assim, a ausência de registros diretos da agressão e a falta de sinais visíveis de sangue nas imagens também passaram a ser questionadas.

Investigação sob questionamento

Apesar de mais de mil horas de gravações analisadas, de 14 equipamentos instalados na região, nenhuma câmera flagrou o momento exato da agressão ao cão. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes investigados. A Polícia Civil pediu a internação de um dos jovens e indiciou três adultos por coação a testemunha. Por envolver menores de idade, o processo tramita em segredo de Justiça.

O Ministério Público informou ainda que segue apurando possíveis ameaças e coações envolvendo familiares dos adolescentes investigados e um porteiro de um condomínio da região. A Promotoria criminal também avalia se há relação entre esses fatos e os maus-tratos aos animais.

Pressão por federalização
A condução do caso gerou mobilização de organizações de defesa animal, que pediram a federalização da investigação. As entidades alegam risco de falhas na apuração, possível parcialidade institucional e chance de impunidade. O documento também aponta a possibilidade de envolvimento ou incentivo aos crimes por meio de plataformas on-line, o que poderia agravar a responsabilização penal.

Além disso, a gravidade das lesões encontradas no animal levantou dúvidas sobre a hipótese de um único agressor, reforçando a necessidade de aprofundar a investigação para evitar que eventuais envolvidos não sejam responsabilizados.

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