Câmara Municipal de Ruy Barbosa - Foto: Arquivo
Maycon Lucas Zacarias Soares, apontado como sócio da empresa no centro do esquema de desvios na saúde, foi nomeado pela Câmara de Ruy Barbosa oito dias antes da ação policial
Publicado 30 de janeiro de 2026 às 12:10
O advogado Maycon Lucas Zacarias Soares, investigado na Operação Mederi, foi nomeado assessor jurídico da Câmara Municipal de Ruy Barbosa poucos dias antes da deflagração da ação policial. A operação da Polícia Federal apura um esquema de desvio de recursos da saúde pública em municípios do Rio Grande do Norte.
Segundo apuração do NOVO, a nomeação ocorreu no dia 19 de janeiro de 2026, assinada pela presidente da Casa, Francisca Eliene de Moura Macedo. O ato foi publicado apenas oito dias antes das buscas. Maycon é apontado nas investigações como sócio formal da Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda, apontada como um dos focos do esquema de desvio de recursos públicos.
ATUALIZAÇÃO: Após a repercussão do caso, a Mesa Diretora Câmara Municipal de Ruy Barbosa decidiu exonerar Maycon Lucas nesta sexta-feira (30). Segundo a presidente da Casa, a exoneração será publicada no Diário Oficial da próxima segunda-feira (02).

As apurações da Operação Mederi indicam que Maycon Lucas atuava na emissão de notas fiscais sem lastro para lavagem de dinheiro e em articulações de processos licitatórios. Ele também teria assumido a titularidade de uma holding empresarial para ocultar patrimônio após o grupo saber das investigações.
A investgação destacou ainda que Maycon exerceria funções operacionais relevantes no esquema, conferindo aparência de legalidade a recursos ilícitos.
O esquema investigado apura desvios na área da saúde pública nos municípios de Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha.
Prejuízo de R$ 13,3 milhões
A Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal, identificou um prejuízo mínimo estimado em R$ 13,3 milhões em contratos de fornecimento de medicamentos firmados por cinco prefeituras do Rio Grande do Norte. O valor embasou decisão judicial que determinou o bloqueio e o sequestro de bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas, como forma de assegurar eventual ressarcimento ao erário.
A estimativa considera contratos firmados entre 2024 e 2025 e representa, segundo a Justiça, o dano mínimo já identificado até esta fase da investigação. As medidas têm caráter cautelar e não configuram antecipação de culpa. O montante poderá ser ampliado caso novas irregularidades sejam comprovadas no decorrer do inquérito.
Entre os municípios investigados, Mossoró concentrou a maior parte dos recursos, com pagamentos que somam R$ 9,58 milhões, o equivalente a 71,8% do total apurado. Os valores foram destinados às empresas Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda. e Drogaria Mais Saúde. As demais cidades também mantiveram contratos semelhantes no mesmo período, embora com cifras menores.
Em Serra do Mel, os repasses alcançaram R$ 1,68 milhão. Já Paraú efetuou pagamentos de R$ 577,76 mil. Em São Miguel, os contratos envolveram apenas a Dismed, com total de R$ 420,28 mil. No município de José da Penha, os pagamentos à mesma empresa chegaram a R$ 1,07 milhão, conforme detalhado na decisão judicial.
De acordo com o desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), os indícios levantados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontam possíveis entregas parciais de medicamentos, superfaturamento e pagamento integral de notas fiscais. A soma dos contratos investigados resultou no valor de R$ 13.339.021,31, considerado suficiente, neste momento, para garantir a reparação dos danos.
Para evitar a dilapidação de patrimônio, a Justiça autorizou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e criptoativos, por meio de sistemas como Sisbajud, Renajud, Criptojud e do Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens. A decisão busca impedir novos prejuízos e assegurar eventual devolução dos recursos públicos.
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