Tensões entre memória e silenciamento conduzem o espetáculo GALO, solo do artista potiguar Thasio Igor, que tem pré-estreia marcada para este final de semana. As apresentações acontecem nos dias 30 e 31, em São Gonçalo do Amarante, no Teatro Municipal Prefeito Poti Cavalcanti, e nos dias 6 e 7 de fevereiro, em Natal, no Complexo Cultural da UERN. Todas as sessões começam às 19h, com ingressos gratuitos distribuídos no local uma hora antes de cada apresentação.
A obra surge de uma pesquisa histórica iniciada em 2020, conectada a memórias de infância do artista. “Nesse período, conectei minhas lembranças afetivas de infância com a argila às memórias coletivas de São Gonçalo do Amarante. O ponto de partida foi a investigação da Chacina de Barreiros, ocorrida em 1997, para refletir sobre como a memória de um lugar é construída e por quem ela é narrada”, afirma Thasio Igor.
O amadurecimento da pesquisa conduziu o trabalho a um campo crítico sobre os monumentos que moldam a memória coletiva, consolidando-se na tensão entre documento histórico e monumento. A partir da ótica de Jacques Le Goff, a obra questiona os silenciamentos impostos por narrativas coloniais.
A simbologia central surge a partir do Galo Branco de São Gonçalo do Amarante, artefato da cerâmica e do folclore potiguar, reinterpretado criticamente para além de sua função decorativa. A obra revela, assim, as escolhas políticas que atravessam os processos de monumentalização da cultura.
“A incorporação do Galo como símbolo permite refletir sobre a monumentalização da cultura e sobre as escolhas políticas que definem o que deve ser lembrado ou esquecido”, explica o artista. Ao utilizar o corpo como testemunho e fabulação, GALO articula estética e política para enfrentar apagamentos históricos e imaginar futuros.
Para estruturar essa rede de significados, o projeto conta com direção de Alexandre Américo e assistência de direção de Pedro Vítor. A obra é fundamentada na filosofia da contracolonização de Antônio Bispo dos Santos, deslocando o olhar colonial para afirmar cosmopercepções afro-diaspóricas. A dramaturgia reúne contribuições do historiador Jefferson Alberto e da atriz e escritora Fernanda Cunha.
O desenvolvimento do solo aconteceu por meio de um processo colaborativo que transpôs o ofício ceramista para uma linguagem poético-ritualística, explorando a memória nos âmbitos individual e coletivo. Em cena, a transformação do barro, o corpo do ator e o uso de objetos cerâmicos de referência afro-indígena se configuram como ferramentas políticas de afirmação cultural.
A peça GALO foi criada com recursos do Edital de Fomento ao Teatro, da Política Nacional Aldir Blanc, e conta ainda com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Gonçalo do Amarante, Redemais, Lucgraf Editora Gráfica e do Teatro Municipal Prefeito Poti Cavalcanti.
Thasio Igor é artista potiguar, licenciado em Teatro pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Atua nas artes da cena e na produção cultural. Estreou no cinema em 2021 com o curta-metragem Time de Dois e esteve à frente dos festivais Cenas do Nordeste e A Cena Jovem do Teatro Potiguar. É criador da oficina Narrativas Imaginárias.
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