Mudança de cela acende articulações legislativas e reforça mobilização do PL em favor de Bolsonaro e de sua família no Congresso e fora do país. | Foto: Reprodução/Redes sociais
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi transferido nesta quinta-feira (15) para a Papudinha, como é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele cumpria pena na Superintendência da Polícia Federal desde novembro de 2025, após ser condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. A mudança de cela já provoca movimentações políticas.
Líderes da oposição e aliados de Bolsonaro no Congresso avaliam que a transferência pode fortalecer a pressão para a retomada do PL da Dosimetria, projeto que prevê redução das penas de quem participou da trama golpista de 8 de janeiro de 2023.
O texto, aprovado inicialmente na Câmara e no Senado, permitiria que Bolsonaro progredisse ao regime semiaberto em cerca de dois anos, de acordo com cálculos do relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Apesar disso, o projeto foi vetado integralmente pelo presidente Lula (PT) na última semana.
Antes mesmo da decisão do ministro Alexandre de Moraes, a oposição já pressionava o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para agilizar a análise do veto. Com a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, a mobilização ganhou intensidade. O senador Izalci Lucas (PL-DF) confirmou que um ofício já foi enviado ao Senado cobrando a apreciação do veto e adiantou que novas ações estão previstas nos próximos dias.
Parlamentares aliados afirmam que já há votos suficientes para derrubar o veto. Na Câmara, o PL da Dosimetria passou por 291 votos a favor e 148 contra, enquanto no Senado o placar foi de 48 a 25. Para derrubar o veto, são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado. “A proposta vai ganhar força. Vamos intensificar a pressão”, disse o vice-presidente do PL, deputado Capitão Augusto (SP).
Além das ações legislativas, parlamentares defendem medidas para a prisão domiciliar do ex-presidente. Alguns já levaram denúncias a órgãos internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Senadores como Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF) acompanham essas iniciativas, enquanto deputados orientam a coleta de assinaturas para reforçar pedidos formais de prisão domiciliar.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado a domiciliar, criticando condições da Superintendência da PF e pedindo melhorias, como televisão com acesso à internet. Moraes negou o pedido, mas destacou que no 19º Batalhão da PM ele terá condições ainda mais favoráveis. Entre os direitos, estão visitas semanais da família, alimentação especial, atendimento médico integral e sessões de fisioterapia.
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