Após a liquidação extrajudicial do Banco Master, ex-controladores do Voiter voltam à Justiça para tentar receber dívida milionária ligada à emissão de debêntures. | Foto: Reprodução

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Justiça Ex-donos do Voiter cobram R$ 247 milhões após colapso do Banco Master

Acordos descumpridos levam família Rezende Barbosa a retomar ofensiva judicial contra Vorcaro e ex-sócios

por: NOVO Notícias

Publicado 14 de janeiro de 2026 às 13:04

A liquidação extrajudicial do Banco Master reacendeu uma disputa judicial bilionária em São Paulo. A família Rezende Barbosa, ex-controladora do Banco Voiter, cobra R$ 247,3 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Master, e de seus ex-sócios Augusto Ferreira Lima e Maurício Quadrado, por acordos firmados e não cumpridos no âmbito de uma operação financeira envolvendo debêntures.

A cobrança tramita na Justiça paulista e tem relação direta com a venda do Banco Voiter ao Master, concretizada em 2024. Segundo os ex-donos do Voiter, os compromissos assumidos pelos executivos para capitalizar o Master não foram honrados, mesmo após sucessivas renegociações e decisões judiciais.

O caso envolve a emissão de 400 debêntures, no valor total de R$ 400 milhões, pela Banvox Holding Financeira. Os recursos tinham como objetivo reforçar o caixa do Banco Master, que à época passava por dificuldades financeiras.

Como garantia, Vorcaro, Lima e Quadrado assinaram fiança pessoal, assumindo a responsabilidade direta pelo pagamento. Posteriormente, a dívida passou a ser atribuída à DV Holding Financeira, ligada ao grupo.

Bloqueio de bens e acordos quebrados

No início de 2025, a família Rezende Barbosa ingressou com ação judicial pedindo o bloqueio de bens dos devedores no valor original da dívida, estimado em R$ 470,5 milhões. Em abril, a 22ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo autorizou a constrição de dinheiro, imóveis e participações societárias.

Um acordo chegou a ser fechado no mês seguinte. O Banco Master quitou apenas a primeira parcela e os honorários advocatícios, mas deixou de pagar a segunda prestação, prevista para setembro.

Diante do novo descumprimento, um segundo acordo foi homologado em novembro, prevendo o pagamento da dívida em 15 parcelas. A homologação ocorreu apenas uma semana antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master.

Impacto do escândalo e nova ofensiva

Com a quebra do banco e o avanço das investigações federais, a dívida voltou a vencer sem pagamento. Em 4 de dezembro de 2025, a família Rezende Barbosa acionou novamente a Justiça, pedindo a quitação integral do saldo devedor, já descontados os valores pagos, hoje fixado em R$ 247,3 milhões.

O pedido inclui a transferência de cerca de R$ 25,9 milhões vinculados a carteiras de crédito consignado usadas como garantia, além da penhora de imóveis, ações, veículos e aeronaves dos executivos. Os autores também solicitaram a fixação de multa diária de R$ 100 mil em caso de novo descumprimento.

Até o momento, o Tribunal de Justiça de São Paulo ainda não analisou o requerimento.

Investigação federal no radar

O caso judicial corre em paralelo à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Vorcaro e Augusto Lima chegaram a ser presos na primeira fase da investigação, que apura a suposta venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito irregulares ao Banco de Brasília (BRB).

Nesta quarta-feira (14), a PF deflagrou a segunda fase da operação, com mandados de busca e apreensão envolvendo Vorcaro, familiares e o empresário Nelson Tanure, citado no processo por ligação com a antiga agente fiduciária das debêntures.

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