Trecho da BR-304 entre Assú e Mossoró concentra alto número de acidentes e será o primeiro a receber as máquinas da duplicação. Foto: Reprodução

Trecho da BR-304 entre Assú e Mossoró concentra alto número de acidentes e será o primeiro a receber as máquinas da duplicação. Foto: Reprodução

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Obra Com ordem de serviço assinada, duplicação da BR-304 começa em trecho campeão de acidentes

Obra histórica no eixo Assú–Mossoró sai do papel após décadas de espera e mira redução da violência no trânsito em uma das rodovias mais perigosas do RN

por: Alessandra Bernardo, do NOVO Notícias

Publicado 12 de janeiro de 2026 às 18:00

A duplicação da BR-304, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas do Rio Grande do Norte, entra oficialmente em fase de execução nesta segunda-feira (12), com a assinatura da ordem de serviço pelo ministro dos Transportes, Renan Filho. O ato marca o início das obras no trecho entre Assú e Mossoró, considerado um dos mais perigosos da rodovia e campeão de registros de acidentes graves.

A intervenção começa no Lote 1B, com 57,6 quilômetros de extensão, justamente onde o fluxo intenso de veículos, a pista simples e as longas retas formam um cenário crítico para a segurança viária. Máquinas já estarão posicionadas para o início imediato dos serviços, conforme confirmado pelo Ministério dos Transportes e pelo Governo do Estado.

Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) após articulação direta do Governo do Rio Grande do Norte junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a duplicação da BR-304 é tratada como prioridade estratégica para o desenvolvimento e a segurança do estado. O próprio ministro Renan Filho classificou a obra como um “sonho histórico do povo potiguar”.

A governadora Fátima Bezerra comemorou a autorização e destacou o simbolismo do momento. “As obras da tão sonhada BR-304 vão sair do papel. Essa rodovia é prioridade do nosso governo, entrou no PAC a partir de solicitação nossa e vai trazer mais desenvolvimento e, sobretudo, mais segurança”, afirmou.

Durante o anúncio, Renan Filho elogiou a articulação do governo estadual. “Parabéns, Fátima, por vencer essa batalha e conseguir fazer com que a obra saísse do papel. É um projeto estruturante para o Rio Grande do Norte”, declarou.

Trecho crítico e números alarmantes

A escolha do trecho Assú–Mossoró para dar início à duplicação não foi aleatória. Levantamento da Fundação Dom Cabral (FDC) aponta que a BR-304, ao lado da BR-101, liderou o ranking das rodovias mais perigosas do estado em 2024. Juntas, concentraram 54% das 1.181 ocorrências registradas no período.

Somente na BR-304, foram contabilizados 295 acidentes em 2024. Já entre janeiro e fevereiro de 2025, a rodovia registrou 337 acidentes, com 22 mortes e 31 feridos graves, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Mossoró aparece como o município com maior número de registros, seguido por Macaíba, Angicos, Assú, Parnamirim, Itaú e Lajes.

A maioria dos acidentes ocorre em pistas simples e em trechos retos — justamente onde a sensação de segurança leva a ultrapassagens perigosas. Dados da PRF mostram que 70,6% dos acidentes registrados entre 2018 e 2024 ocorreram em trechos de reta.

O levantamento aponta que o fator humano é determinante. Falta de distância entre veículos, acesso à via sem observação do tráfego, consumo de álcool e reações tardias estão entre as principais causas. Colisões transversais, traseiras e frontais lideram as estatísticas, além de tombamentos.

Outro dado que chama atenção é a letalidade dos acidentes noturnos. Embora a maioria das ocorrências aconteça durante o dia, as colisões frontais à noite respondem por quase metade dos casos com vítimas fatais, geralmente associadas a tentativas de ultrapassagem em pista simples.

Investimento e execução

O contrato do Lote 1B foi firmado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) com a Construtora Luiz Costa Ltda (CLC), empresa potiguar sediada em Mossoró. O investimento previsto é de R$ 367 milhões, com recursos do Orçamento Geral da União.

O prazo contratual é de 42 meses, mas a expectativa é de conclusão em até 36 meses após a emissão da licença de instalação ambiental. O regime de execução será por empreitada a preço unitário.

A duplicação prevê adequação de capacidade da rodovia, melhoria da segurança viária e eliminação de pontos críticos ao longo do trecho.

Além da ordem de serviço em Assú–Mossoró, o ministro Renan Filho anunciou que, no mesmo dia 22, será publicado o edital de licitação para a duplicação do trecho entre Macaíba e Riachuelo. Também estão em andamento as obras dos viadutos de Macaíba e a duplicação da travessia urbana do município, cuja licitação terá os preços abertos no dia 14.

Essas intervenções complementam os trechos já parcialmente duplicados na Região Metropolitana de Natal, como o segmento entre Parnamirim e Macaíba e a Reta Tabajara, que liga Macaíba ao entroncamento com a BR-226.

Impacto econômico

Com fluxo médio diário de cerca de 6 mil veículos, a BR-304 é um dos principais corredores logísticos do Nordeste. A rodovia é fundamental para o escoamento da produção agrícola e industrial e conecta regiões estratégicas do estado.

Na área de influência de Mossoró e Assú está concentrada grande parte da produção de frutas e de sal marinho, dois dos principais itens da pauta exportadora potiguar. A duplicação deve fortalecer a competitividade dessas cadeias produtivas e impulsionar pequenas e médias empresas ao longo do traçado.

Construída na década de 1960, a BR-304 tem 409 quilômetros de extensão, sendo 289 em território potiguar. O projeto completo de duplicação está estimado em R$ 1,3 bilhão e foi incluído no PAC 3 como uma das grandes obras estruturantes do Rio Grande do Norte.

POR QUE A BR-304 É CRÍTICA

•⁠ ⁠Alta taxa de acidentes em pista simples
•⁠ ⁠Longos trechos retos favorecem ultrapassagens perigosas
•⁠ ⁠Forte circulação de veículos de carga e passageiros

NÚMEROS DA BR-304

•⁠ ⁠295 acidentes em 2024
•⁠ ⁠337 acidentes em jan–fev/2025
•⁠ ⁠22 mortes no início de 2025
•⁠ ⁠6 mil veículos/dia

OBRAS DA DUPLICAÇÃO

Lote 1B: Assú–Mossoró (57,6 km)
Investimento: R$ 367 milhões
Prazo estimado: até 36 meses

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