Com aval provisório da União Europeia, Brasil e Mercosul podem ampliar exportações de carnes, café e outros produtos agrícolas, enquanto regras protegem o agro europeu. | Foto: Arquivo
A União Europeia aprovou provisoriamente nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A decisão abre caminho para a assinatura oficial do tratado, prevista para segunda-feira (12), no Paraguai, e para a posterior votação nos parlamentos dos países membros da UE.
O aval europeu representa uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro, principalmente após dificuldades recentes nas exportações para os Estados Unidos e limitações de importação por China e México.
O tratado prevê a eliminação de tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários exportados do Mercosul para a União Europeia. Entre os principais beneficiados estão café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais. As tarifas serão zeradas de forma gradual, variando de 4 a 10 anos, conforme o produto.
Carnes bovina e de frango terão cotas específicas, consideradas “sensíveis” pela UE. Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial desses produtos e consegue preços mais competitivos que os europeus.
Carne bovina: a cota anual será de 99 mil toneladas para os países do Mercosul, com tarifa inicial de 7,5%.
Frango: a cota será de 180 mil toneladas, aumentando gradualmente até o sexto ano. Exportações fora dessas cotas continuarão sujeitas às tarifas atuais.
Apesar das limitações iniciais, especialistas apontam que o acordo fortalece o Mercosul como parceiro preferencial da União Europeia e pode aumentar a previsibilidade das exportações brasileiras.
O café brasileiro, segundo produto mais exportado à UE, deve se beneficiar especialmente no segmento solúvel e torrado, que hoje têm tarifas de 9% e 7,5%, respectivamente. Com o acordo, essas taxas serão zeradas em até quatro anos, ampliando a competitividade frente a concorrentes como o Vietnã.
A soja, principal produto agro brasileiro exportado à UE, já entra na Europa sem tarifas, portanto o acordo não altera seu cenário comercial.
A União Europeia estabeleceu salvaguardas técnicas para proteger seu agro. Elas permitem suspender temporariamente benefícios tarifários caso o aumento das importações de produtos sensíveis prejudique setores locais.
Especialistas brasileiros alertam que essas medidas podem afetar a previsibilidade, mas não eliminam o potencial de expansão das exportações.
O bloco europeu também se beneficia, reduzindo tarifas de fertilizantes e aumentando exportações de carros, máquinas, queijos, vinhos e produtos químicos para o Mercosul, além de reduzir a dependência da China em minerais.
As negociações começaram em 1999, com avanços parciais em 2019 e retomadas em 2024. O acordo envolve 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de PIB, configurando um dos maiores tratados comerciais do mundo.
O presidente Lula reforçou, em novembro de 2025, durante o G20, a importância estratégica do acordo para a economia brasileira, destacando seu potencial de impulsionar exportações e fortalecer parcerias internacionais.
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