A maior ilha do mundo, com apenas 57 mil habitantes, virou peça-chave no tabuleiro militar e econômico das grandes potências. | Foto: Marko Djurica
A Groenlândia, uma ilha gelada e pouco povoada no extremo norte do planeta, voltou ao centro das atenções internacionais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmar o interesse em assumir o controle do território. A movimentação reacende tensões diplomáticas e levanta alertas sobre o avanço da disputa militar no Ártico, segundo a CNN.
A Casa Branca confirmou nesta semana que Trump e seus aliados discutem alternativas para adquirir a Groenlândia — inclusive hipóteses que envolvem pressão militar. A declaração provocou reação imediata da Dinamarca, de líderes europeus e do Canadá, que se uniram para barrar qualquer tentativa de interferência no território.
A Groenlândia é parte do Reino da Dinamarca, mas possui amplo autogoverno. Mesmo assim, sua posição estratégica e suas riquezas naturais a transformaram em alvo direto das ambições americanas.
A principal razão está no mapa. A Groenlândia fica entre a Europa e a América do Norte, exatamente na rota mais curta para mísseis balísticos lançados do hemisfério norte. Por décadas, essa localização foi fundamental para o sistema de alerta e defesa dos Estados Unidos.
Além disso, o território está próximo de rotas marítimas usadas por submarinos nucleares russos e, cada vez mais, integra o radar estratégico da China no Ártico. Com o aquecimento global e o derretimento do gelo, a região se torna mais acessível — e mais disputada.
Trump chegou a afirmar que a Groenlândia é vital para a segurança nacional americana. Segundo ele, navios russos e chineses estariam circulando pela costa da ilha, o que exigiria uma presença militar mais forte dos EUA.
Além da questão militar, a Groenlândia possui reservas de minerais estratégicos, petróleo e gás natural. Esses recursos são vistos por Washington como uma forma de reduzir a dependência dos Estados Unidos da China, especialmente em cadeias produtivas sensíveis.
Apesar do potencial, a exploração desses recursos ainda avança lentamente. Investimentos americanos em mineração na ilha seguem limitados, em parte por questões ambientais e pela própria autonomia política do território.
Os Estados Unidos mantêm uma presença militar permanente na Groenlândia desde a Guerra Fria. A base aérea de Pituffik, no noroeste da ilha, abriga forças americanas e integra o sistema de defesa do país.
Um acordo firmado em 1951 entre EUA e Dinamarca autoriza Washington a circular livremente e construir instalações militares no território, desde que as autoridades dinamarquesas e groenlandesas sejam informadas.
Na prática, a Dinamarca aceita essa presença porque não tem capacidade militar para defender sozinha a ilha e depende da proteção oferecida pelos EUA dentro da Otan.
As declarações de Trump provocaram forte reação internacional. França, Alemanha, Polônia e Canadá manifestaram apoio público à Groenlândia e reforçaram que o território pertence ao seu povo.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que a Europa já discute respostas conjuntas caso os Estados Unidos tentem avançar sobre a ilha. Segundo ele, uma ação militar contra um aliado histórico, como a Dinamarca, causaria um abalo profundo dentro da Otan.
O tema entrou na pauta de reuniões entre chanceleres europeus, que defendem uma resposta coordenada e diplomática para conter qualquer escalada.
A Groenlândia foi colônia da Dinamarca até 1953, quando passou a integrar formalmente o reino dinamarquês. Em 2009, conquistou amplo autogoverno, com controle sobre a maioria das políticas internas.
A legislação garante ao território o direito de declarar independência, desde que a decisão seja aprovada em referendo pela população local e validada pelos parlamentos da Groenlândia e da Dinamarca.
Pesquisas indicam que a maioria dos 57 mil habitantes da Groenlândia apoia a independência. No entanto, há receio sobre o ritmo desse processo.
Muitos moradores temem que uma ruptura rápida com a Dinamarca deixe a ilha vulnerável a pressões externas, especialmente dos Estados Unidos.
Hoje, a economia local depende fortemente da pesca, responsável por mais de 95% das exportações, e de subsídios dinamarqueses que bancam cerca de metade do orçamento público.
A disputa pela Groenlândia simboliza uma mudança mais ampla no cenário global: o Ártico deixou de ser apenas uma região remota e passou a integrar o centro da estratégia militar e econômica das grandes potências.
Com Trump reacendendo antigas ambições, a ilha se transforma em um novo ponto de tensão internacional — e qualquer movimento mais agressivo pode ter reflexos diretos na estabilidade global.
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