Foto: Freepik
O recente recolhimento de panetones contaminados por fungos e a proibição de produtos alimentícios com ingredientes não autorizados reforçam um alerta que vai muito além das festas de fim de ano. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e evidencia falhas relevantes na segurança dos alimentos disponíveis no mercado brasileiro.
Para Paula Eloize, especialista em segurança dos alimentos, a presença de fungos visíveis em qualquer alimento é um sinal inequívoco de risco. “Fungos não surgem por acaso. Eles indicam falhas em etapas críticas como controle de umidade, armazenamento, higiene, validade ou integridade da embalagem. E o mais importante: nem sempre o risco é visível”, explica.
Segundo a especialista, embora o caso envolva panetones, esse tipo de contaminação pode ocorrer em diversos alimentos ao longo de todo o ano. “Pães, bolos, chocolates, grãos, castanhas, farinhas, frutas secas, geleias e até alimentos industrializados podem desenvolver fungos quando há condições favoráveis. O Natal passou, mas o risco permanece.”
Outro ponto de atenção destacado por Paula é a suspensão de produtos que utilizam ingredientes sem autorização para uso em alimentos no Brasil, como determinados cogumelos associados a promessas de benefícios à saúde. “Alimentos não podem ser vendidos com alegações terapêuticas sem avaliação e aprovação regulatória. Segurança dos alimentos envolve não apenas o que se consome, mas como isso é comunicado ao consumidor”, afirma.
Como escolher alimentos de forma mais segura no dia a dia
Paula Eloize reforça algumas orientações práticas que ajudam o consumidor a reduzir riscos, independentemente da época do ano:
Observe atentamente a embalagem: estufamento, umidade, rasgos, ferrugem ou lacres violados são sinais de alerta.
Verifique prazo de validade, mas lembre-se de que validade não garante segurança se o produto foi mal armazenado.
Desconfie de odores, manchas, pontos esverdeados, brancos ou escuros, mesmo que localizados apenas em uma parte do alimento.
Evite consumir alimentos com mofo, mesmo após retirar a parte aparentemente contaminada. Fungos podem se espalhar internamente.
Cuidado com produtos que prometem efeitos como melhora da memória, foco, imunidade ou saúde mental sem respaldo técnico claro.
Em casa, mantenha alimentos secos em locais arejados, longe de calor e umidade, e respeite as orientações de conservação após abertura.
“Segurança dos alimentos não é um cuidado sazonal. É uma prática contínua que começa na indústria, passa pela fiscalização e termina na escolha consciente do consumidor”, conclui Paula Eloize.
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