Duas pessoas que estavam no bar relataram que uma das garçonetes teria colocado velas e que uma delas teria sido erguida muito próxima ao teto. Foto: Reprodução
Dos feridos, 71 são suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português. Outros 14 ainda não tiveram a nacionalidade revelada
Publicado 2 de janeiro de 2026 às 16:30
O incêndio que deixou ao menos 40 mortos e 119 feridos em um bar na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, teria se iniciado quando velas de faísca – no mercado brasileiro, também chamadas de vela vulcão -, colocadas em garrafas de champanhe, entraram em contato com o teto do estabelecimento.
Essa é a principal hipótese das autoridades suíças, informou a procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, nesta sexta-feira (2). Segundo Pilloud, após as velas encostarem no teto, o fogo se espalhou rapidamente. Vídeos foram obtidos e analisados pelas autoridades, e várias pessoas foram entrevistadas.
Na quinta-feira (1º), duas pessoas que estavam no bar no momento do incêndio relataram ao canal francês BFMTV que uma das garçonetes teria colocado velas de aniversário em cima de garrafas de champanhe e que uma delas teria sido erguida muito próxima ao teto, que teria então pegado fogo.
A procuradora-geral afirmou que os dois gerentes franceses do bar foram entrevistados, assim como pessoas que conseguiram escapar do incêndio.
Dos feridos, 71 são suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português. Outros 14 ainda não tiveram a nacionalidade revelada.
A BBC Verify, serviço de verificação da BBC, analisou duas fotos que mostram velas de faísca acesas presas a garrafas dentro do bar Le Constellation.
As imagens foram compartilhadas online com a alegação de que teriam sido feitas por volta do início do incêndio, na noite de Ano Novo.
Uma das imagens mostra pessoas erguendo várias garrafas, com velas de faísca acesas, e o que parece ser fogo no teto.
A equipe buscou versões anteriores da imagem na internet e não encontrou cópias anteriores ao dia 1º de janeiro. Há vários detalhes na fotografia que correspondem a fotos antigas do interior da boate, incluindo o bar, a decoração das paredes e a tubulação.
A foto foi analisada com quatro ferramentas de detecção de IA; nenhuma identificou manipulação por inteligência artificial, embora uma tenha apontado que a imagem foi editada.
Uma análise adicional com uma ferramenta de detecção de manipulação digital não encontrou nenhuma evidência de adulteração. Um especialista ouvido mais cedo pela BBC aponta uma possível razão para explicar porque o fogo se espalhou tão rápido dentro do Le Constellation, onde várias pessoas comemoravam o Ano Novo na madrugada do dia 1º.
Em entrevista ao programa The World Tonight, o presidente da Associação Britânica de Investigadores de Incêndios, Richard Hagger, falou sobre o fenômeno do “flashover”, que, em sua avaliação, pode ter tornado o incêndio tão mortal.
“Um flashover é basicamente o rápido desenvolvimento de um incêndio dentro de um ambiente. Começa com um foco de incêndio, as chamas e a radiação térmica sobem até o teto e se espalham rapidamente”, disse Hagger.
“Essa radiação térmica então se propaga para baixo, atingindo outros materiais combustíveis, como móveis e mesas, elevando a temperatura a ponto de esses materiais se decomporem termicamente e produzirem gás inflamável. E então esse gás se inflama, mas a uma velocidade bem rápida”, acrescentou.
“O lugar, na prática, fica completamente tomado pelas chamas em questão de segundos.”
O trabalho para reconhecimento dos mortos e dos feridos ainda está em curso e “vai levar tempo”, disse o chefe do governo regional do cantão de Valais, Mathias Reynard, reconhecendo, no entanto, que a espera é “insuportável” para a família das vítimas.
Falando à BBC Radio 4, Robert Larribau, chefe do Centro de Comunicação Médica de Emergência dos Hospitais Universitários de Genebra, informou que parte das vítimas é muito jovem, com idades entre 15 e 25 anos.
Algumas sofreram queimaduras internas no corpo, após inalarem fumaça. A área ao redor do bar foi totalmente cercada pela polícia, que ainda trabalha no local. Segundo o repórter da BBC Nick Johnson, que está na cidade, além da fita policial também foram montadas tendas forenses, por onde os agentes têm circulado no dia seguinte à tragédia.
Do outro lado do cordão policial, acrescenta Johnson, a atmosfera é mais silenciosa e reflexiva, com as dezenas de velas, centenas de buquês de flores e mensagens de carinho e esperança deixadas pelos que passaram durante a noite de quinta para prestar homenagens a vítimas.
Segundo o repórter, embora o Crans-Montana seja um resort internacional, predomina na região uma atmosfera de comunidade unida. Muitos dos moradores entrevistados após a tragédia afirmaram conhecer alguém que estava no bar no momento do incêndio.
Uma mulher entrevistada pela reportagem contou que acabara de saber que seus dois amigos que estavam no Le Constellation morreram no hospital após sofrerem os efeitos da inalação de fumaça. Ambos tinham 20 anos.
Ela falou sobre a culpa que sentia por estar bem, enquanto a família dos amigos passava por um momento de tanto sofrimento.
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